Segunda-feira, 1 de Março de 2010

Reflexões tardias de quem tem aulas às nove.

                Cheguei a casa do café, pousei as coisinhas na cadeira e sentei-me aqui. Pensei ir dormir, mas o vizinho de cima a tocar piano e os desabafos de um amigo apaixonado fizeram-me pensar.

                Será que somos tão incompletos ao ponto de passarmos grande parte do tempo (pelo menos, grande maioria de nós) à procura de alguém que nos complete? Será que não nos bastamos a nós mesmos? Procuramos alguém que goste até das nossas imperfeições por termos dificuldade em lidar com elas? Uma partilha? Talvez tudo.

                  E este tema é uma lista infindável de paradoxos, porque actualmente o amor ‘para sempre’ (e quem inventou isto era um lírico) está em vias de ser extinto, mas também se torna ridícula a quantidade de vezes que dizemos ‘amo-te’ a pessoas diferentes… e como diz o Palma: cada um tem de cuidar das suas «nódoas negras sentimentais».

                Voltando ao meu amigo, houve algo que me deixou a pensar:

                - Como é que sabes que estás apaixonado?

                - Quando ela vai embora, sinto-me vazio.

                - (…)

                E isto deita por terra todas as minhas teorias. Queremos todos sofrer por amor, pelo menos de vez em quando, porque "(...) o amor é uma doença quando nele julgamos ver a nossa cura ...", à qual acabamos por sucumbir.

 

sinto-me:
música: Falling slowly - once soundtrack
publicado por Ketch às 01:05
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7 comentários:
De nop a 1 de Março de 2010
O ser humano é um animal social. e precisamos uns dos outros para sobreviver.
Não existe nada no mundo que nos apresente bases consistentes de que devemos amar uma só pessoa até o fim dos nossos dias, nem que devemos amar uma só pessoa de cada vez. Temos a oportunidade de escolher o caminho que nos faz mais feliz (ou o que achamos que nos fará mais feliz).
Eu amo várias pessoas, de maneiras diferentes, por isso não tenho grandes problemas, nem acho ridículo dizer "amo-te" a várias pessoas.
É bom, nem que seja por pouco tempo, gostar de alguém e ser gostado, sentir que somos importantes para alguém e que a nossa existência tem algum sentido.
De Ketch a 1 de Março de 2010
Eu amo-te, Márcio Aleksandravicius (tive de fazer copy-paste, que não consigo escrever isto à primeira... lol).
Tu percebeste o sentido que eu dei ao tema, não o tornes ainda mais complicado :p
De LuaSemSol a 1 de Março de 2010
Bom dia amiga, pois que concordo e partilho da opinião acima dada. Acho que ao longo dos anos temos muitos amores, dizemos "amo-te" a muita gente mas o amor de que vai carregada essa palavra é diferente de pessoa para pessoa. Amar é sofrer a sério. Mas Amar é viver em "estado de graça", quando se está apaixonado somos "criancinhas" mas também somos cegos. O Amor dá pano para muitas mangas, tema de discussões infindáveis, mas apesar de se sofrer vale a pena amar.
Um beijo
De Ketch a 2 de Março de 2010
Foi, de facto, isso que tentei exprimir no último parágrafo :)
**
De Ventania a 1 de Março de 2010
Queremos todos ter a oportunidade de sentir para além do banal e corriqueiro, e sofrer por alguém, pela sua ausência, é quase uma prova de vida do coração.
De Ketch a 2 de Março de 2010
Prova de vida do coração... brutal :)
De Tânia Teixeira a 3 de Março de 2010
my dear friend,
como te entendo.
Havia uma historinha q dizia que, no principio das eras, o ser humano era hemafrodita, mas q dps, na cadeia horripilante da evolução, foi separado em dois e condenado a errar toda uma vida à procura da sua metade... sozinho.
A questão é: e se nos enganaram? e se nao existir outra metade? e se nós formos já a totalidade de tudo? Algo em mim diz que é isto: somos a totalidade de tudo. Isto nao inviabiliza, contudo, "amo.tes", nem tao pouco ilusoes, inviabiliza? Acho que o propósito não é nao se ser iludido, mas sim encontrar as ilusões que nos fazem viver.
Ainda assim, continua a fazer.me imeeeeensa confusao a existência de uma palavra como o "amo.te", assim como a continua repetiçao da mma. A sobrevalorização de qualquer conceito é nojenta, do amor é ainda mais.
Acho que há palavras e sensaçoes que foram feitas para pairar, apenas pairar... porque mal as digas ninguem vai entender o que estas a dizer e, mal as digas elas deturpam.se a elas mesmas e nunca obedecem a 100 % ao sentimento que as originou. and thats it!
Claro que te amo, e claro que nao o percebes a 100% - so eu o faço. Parecendo paradoxal, mantenho a minha ideia de so dizer "aquele amo.te" no meu leito de morte. só ai é amo.te, so ai nao importa que nao te entendam, e só aí ele é para smp.

PS: waltz for a night (; ***

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