Quarta-feira, 24 de Março de 2010

Trocamos segredos em portas blindadas.

Li esta frase ontem, num passeiozinho pelo centro. Achei que fora do contexto em que estava inserida (divirtam-se a pensar qual) era bonita, fazia sentido e abria caminho na selva dos meus pensamentos amontoados… Headphones, corpo deitado na relva, ‘Loving you’ a tocar nas alturas, e eu tive o meu momento favorito do dia. Já não consigo simplesmente saborear as coisas sem pensar muito nelas, procuro-lhes incessantemente os significados… abrindo, fechando portas. Tenho muitas perguntas por fazer, dúvidas em excesso, talvez demais, talvez muitas, as necessárias e as não necessárias, também... Mas sei que acordo de manhã e, por muito cinzento que esteja, ando a ver azul de uma ponta a outra do céu. Quero muito o respirar, fundo, agora, depois, e talvez mais tarde… Pela primeira vez em algum tempo, não sinto que o ar me acaba.

 

«Adoro quando a Carolina não está no mundo da Lua, mas sim em Júpiter, que é ainda mais longe… não ouve nada do que eu digo, mas sorri.»

sinto-me: Zen
música: Just can't get enough - Nouvelle Vague
publicado por Ketch às 17:41
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De . Aurora a 30 de Março de 2010
"Já não consigo simplesmente saborear as coisas sem pensar muito nelas, procuro-lhes incessantemente os significados… abrindo, fechando portas"

É tão verdade. Quantas vezes tentamos ser como tantos outros, simples, que não têm expectativas e não se desiludem - simplesmente, aproveitam. Quantas vezes tentamos silenciar as mais de quinhentas versões de nós próprias, que teimam em fazer-se ouvir incessantemente. Quantas vezes não queremos, apenas, existir, sem grandes filosofias ou paradoxos. Existir, apenas, com um terno e verdadeiro sorriso nos lábios.

Felizmente, ainda existem sítios suficientemente relvados para nos deitarmos neles com os headphones, a olhar para lado nenhum, convertendo o cinzento do céu no mais majestoso azul celeste.

"Pela primeira vez em algum tempo, não sinto que o ar me acaba." - e ainda bem que assim é.

E sim, de facto, é sempre melhor estar em Júpiter do que na Lua - pelo menos estamos mais longe de tudo, e mais perto do nosso próprio sorriso.

Parabéns pelo Destaque e continuação de boas escritas!
De Ketch a 30 de Março de 2010
Eu gostava de conseguir simplesmente aproveitar, mas isso é viver a 20%, sem questões sobre tudo e mais alguma coisa, viver sem "ruído de fundo". A verdade é que isso seria viver no morno, e tudo é demasiado intenso para se conseguir tal coisa... Pensar é meio caminho andado para se ficar maluquinho, nunca tive tantas certezas, mas é também um privilégio nos dias que correm. Parar para pensar é cada vez mais uma tarefa rara.

Obrigada.
De . Aurora a 30 de Março de 2010
"Sentir tudo de todas as maneiras" - já nos dizia Álvaro de Campos, e com tanta razão.

Acredita que, nalguns momentos, eu também gostava de "aproveitar", mas como isso implica deixar o meu raciocínio de lado, o proveito fica sempre para segundo plano.

De facto, o acto de pensar pode até tentar enlouquecer-nos, mas cabe a nós mesmos conseguir domar isso. Pensar só até um certo ponto, e depois mandar um grito silencioso para calar o pensamento, quando ele se descontrolar.

E sim, na actualidade dominada por melodias e letras de músicas comerciais e sem sentido, e legiões chamadas comummente de "modas", pensar é, verdadeiramente, um privilégio - se é que não é o maior de todos.
De Ketch a 30 de Março de 2010
Para pensar é preciso ter capacidade para... talvez esse seja o maior.
De . Aurora a 30 de Março de 2010
Exactamente - é preciso ter capacidade para pensar.

Ou seja, vai ser preciso ensinar de raíz a lógica do pensamento às gerações vindouras, visto que não vão sequer lembrar-se de pensar.

E entretanto, só nos resta pensar e semear pensamentos - até porque há sempre quem os colha
De Ketch a 30 de Março de 2010
Por falar em pensamentos... http://portoaviana.blogspot.com
De . Aurora a 30 de Março de 2010
A ideia do blog em conjunto é sempre algo agradável. É como uma identidade construída a dois.

"Tudo está tão inacabado,
tão indistinto, lá fora,
e em cada um de nós." - é bem verdade.

O segredo está em conseguir extinguir as teias de aranha, perceber o que falhou na nossa própria construção, projectar e reconstruir aquilo que, um dia, ajudámos a destruir.

Se nós não recomeçarmos, quem o fará?
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