Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

A uma semana de Bracara Augusta

lalala

 

Típica expressão resignada de «a minha vida é muito difícil» com o apêndice «mas, que fazer?»

sinto-me: tão bem :)
música: uma arlinda mulher - mamonas assassinas
publicado por Ketch às 13:51
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Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010

Nada mais ilustrativo que um 'LOL'

sinto-me: tão bem :)
publicado por Ketch às 16:56
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Quarta-feira, 11 de Agosto de 2010

Passeios na massa cinzenta - Parte II

Às vezes não percebo a volatilidade das coisas. O mundo é volátil na sua génese, tudo está feito para se transformar (nada que alguém já não tenha dito e que eu não tenha rebatido anteriormente noutro passeio pela massa cinzenta), mas o que realmente importa são todas aquelas coisas cuja função passa por se manterem fortes, no matter what.

As ligações humanas e suas ramificações, foram, na minha opinião (que vale o que vale), a coisinha que pior favorecida ficou no que toca à sua funcionalidade: somos como peças de um computador enorme que é o mundo (sim, fartei-me de fazer analogias com Música, mas um dia lá voltarei…). Cada um na sua esfera, vulgo “sistema operativo”, à qual costumamos chamar cultura, educação, etc… mas, falando em educação, será essa a diferença entre ‘Home edition’ e ‘Office edition’? Para além disso, as actualizações são constantes e tudo aquilo que já foi novidade, torna-se agora velho e gasto, daí surgir a pergunta: o que mantém estas ligações poeirentas quando elas já não tiverem mais para dar?

O que é certo é que estou com todo este cenário para explicar toda a complexidade que envolve tudo em que o ser humano toca, mas mais ainda para explicar a viagem alucinante que é aquilo em que ele não toca. Não digo nada de novo, não pretendo ensinar nada, a verdade é que hoje estou a pensar muito nisso.

Comecei por um pensamento normal, nada de muito agressivo, apenas aquilo que todos os dias me ocupa a mente e o espírito para não andar no mundo «para o ver passar» e fazer algum trabalho espiritual, algo que considero quase impreterível para uma vidinha com algum significado e consequentes conversas “come-caco”.  Certo é que, conforme o dia se foi desenrolando, a necessidade de pensar mais em detrimento do diálogo foi enorme. Apeteceu-me fechar-me no meu casulo pequenino e envolver-me num cobertor de dúvidas, onde fica no ar uma necessidade de me questionar sobre a verdade, apesar de ter noção de que não há nenhuma completamente correcta: honestidade comportamental ou calculismo? Uma é, para os católicos, aquilo que se deve praticar segundo a bíblia (sabe deus…) ou, segundo a razão, a coisa certa. Mas… o calculismo amplia grandemente a nossa bolha actimel, não faz de nós melhores, mas pode-nos fazer parecer melhores, melhores actores sociais e afins... Quem sabe se não nos manda para as chamas do inferno… Conciliar os dois consoante o ‘quem’, o ‘quando’ e o ‘porquê’? Perfeito. O problema é que não conheço ninguém que consiga utilizar ambos na perfeição sem parecer ingénuo e/ou palerma ou falso e/ou oportunista. Voltámos ao início: relações humanas requerem manutenção e esse jogo entre uma e outra é o espanador das relações sociais.

Agora que escrevi 493 palavras e depositei no meu espacinho blogosférico algum do lixo que por aqui tinha, posso ir dormir mais descansada e esperar com jeitinho que ninguém tenha pachorra para ler isto até ao fim.

publicado por Ketch às 01:32
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Sábado, 5 de Junho de 2010

«andamos em voltas rectas na mesma esfera»

Ando a fazer posts manhosos por falta de tempo, inspiração e assunto. Por estes lados vive-se de tudituditudo. Se tivesse de escrever sobre isso, o vocabulário utilizado incluiria palavras como “desenganos”, “renovações”, “reencontros” e coisas que tal… mas eu não tenho nada de interessante para escrever, portanto deixo-vos com música bonita (que é o que se faz quando as palavras faltam), descoberta há pouco, mas que me parece digna de ser postada.


 


sinto-me: nhé ^^
música: ten years after - i'd love the world
publicado por Ketch às 13:16
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Domingo, 30 de Maio de 2010

Feelin' kinda raped...

 

 

 

 

 

música: peter gabriel - i grieve
publicado por Ketch às 19:41
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Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Resumo de uma noite ranhosa do enterro da gata '10

Álcool (presente em todos os momentos),

 

risos que não faziam sentido sem a substância mencionado anteriormente, sorrisos como quem diz «’tá bem»,

 

uma música do concerto,

 

pessoas que não gostam de mim a abraçarem-me e a dizerem mentiras enormes, eu a acompanhar porque acho piada, espectadores a rirem-se,

 

solidariedade, descobertas, sorrisos interiores, fugas, medos,

 

desequilíbrios, tropeções, casas de banho bnhec, shots de borla com efeitos nefastos,

 

tentativas pouco subtis, rejeições descaradas e com ar de nojo, puxões, neuras,

 

música que em dias normais dava dores de cabeça, danças pouco ortodoxas,

 

cerveja no copo, no chão, no estômago, na roupa e (dependendo dos banhos) na roupa interior,

 

olhos pesados, fumo, sono, tonturas, memórias recalcadas, pensamentos feios, conversas sem sentido,

 

inconfidências estúpidas, enfiar barretes enormes, ter vontade de… calar-me,

 

entrar no autocarro, turbulência,

 

sofá alheio, «eu quero ir para a minha casa», ir para casa, roubar um pão da carrinha das entregas, responder «está tudo bem» e dormir.

sinto-me: Bnhec.
música: nada.
publicado por Ketch às 20:32
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Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

São coisas...

Sonhos estranhos, acordar, pensar sobre isso, (...), ter sono, virar para o outro lado,

lembrar-me das responsabilidades,

ver as horas, levantar-me em sobressalto,

pôr-me apresentável, ver-me ao espelho, não gostar,

borrifar-me para o assunto,

pôr-me a caminho,

chegar, ouvir, escrever, ler,

intervalo para cigarro,

esperar, pensar, ouvir música, esperar, conversar, esperar, falar,

vir para casa,

fazer o almoço, queimar o almoço, almoçar com os amigos,

rir, ouvir música, falar sobre isso, falar sobre isto, sobre aquilo, falar sobre aqueloutro e de ninguém,

despedir-me, sentar-me, respirar fundo,

ouvir a campainha, abrir a porta, rejeitar tentativas de conversão a testemunha de jeová,

respirar fundo, mesmo fundo

e acabar o trabalho de semiótica.

 

________________________________

 

 

Esquecendo este fabuloso início de dia, a Maria (re)mostrou-me algo que eu já não me lembrava que existia e achei bonito. Voltei a achar bonito. Lembrei-me do que senti na primeira leitura (já lá vão uns anos, não sei ao certo quantos) e comparei com o hoje... achei giro ver o meu entendimento das coisas antes e depois. Posto isto, aqui vai:

 

“Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”


Miguel Esteves Cardoso in Expresso

sinto-me: coise.
música: Ai rapaz - Deolinda
publicado por Ketch às 15:55
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