Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

Notas soltas de uma noite de bebedeira, de cansaço e de restauração da independência.

Completamente ébria e sem qualquer tipo de perspectivas que não uma sejam a partida certa, não só espacialmente como também a nível de espírito - que isto dos lugares não-comuns tem muito que se lhe diga - encontro-me rodeada por uma multidão a curtir a minha bebedeira em frente às teclas. Todos riem, todos sorvem mais um pouco de apatia enquanto desfrutam do fumo que se vai espalhando pela sala cada vez que lhes sai a boca e dos dedos que seguram cigarros pacientes.

Hoje eu senti que não podia fazer nada. Aquele sentimento de impotência que se faz sentir como um bicho que nos consume de fora para dentro, para se aninhar na nossa garganta, bem enrolado no seu sono, impedindo-me de engolir toda a insatisfação de um dia em que um outro começou, um dia diferente, um dia em que a apatia é maior que o desejo, um dia em que fiquei só eu nesta história de copos e cigarros pensativos de conversas bonitas.

A cada trago de whiskey parece tudo mais vago, os pensamentos diluem-se em lágrimas que não saem nem por nada e a dor em fumo que vou expulsando com um vagar de quem não sente.

Esta noite tudo pareceu irreal. Tu não eras tu porque eu já não estava ao teu lado. A tua mão na minha que já não era minha afinal, aquecendo o frio que em mim se ia instalando enquanto que as tuas palavras saiam num fio de amor e respeito como facas de dentro para fora.

 

O texto e tudo (...) ficou por acabar.

sinto-me: Tom the model - Beth Gibons
publicado por Ketch às 03:45
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Sábado, 8 de Dezembro de 2012

um fragmento de "Crave", de Sarah Kane

- Ele está a seguir-me… Ele precisa de ter um segredo mas não consegue evitar contá-lo


- O calor está a sair de mim/ O coração está a sair de mim


- E contudo ela não consegue lembrar-se ela não consegue esquecer


- Agarrando um punho de areia O que me liga a ti é a culpa


- Eu atravessei dois rios e chorei por um
Eu sou o monstro no final da corda


- Feliz e livre

música: Between the bars - Madeleine Peyroux
publicado por Ketch às 01:41
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2012

Verdades absolutas as 2h30 da manhã.

"No one touches me, no one gets near me. But now you’ve touched me somewhere so fucking deep I can’t believe and I can’t be that for you. Because I can’t find you."

— Sarah Kane

publicado por Ketch às 02:29
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Domingo, 24 de Junho de 2012

Seja.

Hoje eu tive vontade que acontecesse qualquer coisa. Nada de muito elaborado nem que transcendesse qualquer limite do aceitável… mas habituei-me a viver no final da linha, daquela que até aqui nunca tinha tido coragem de pisar e que me observo a olhar de longe desde há algum tempo…

Mente, corpo e coração descoordenados numa amálgama de sensações que excede o corriqueiro, numa vontade sôfrega de sentido comum, de normalidade absurda que leva à rotina que não é necessariamente castradora, mas pacifista… há demasiados sujeitos , quando tudo o que se pretende é uma frase simples.

Ter vontade de desistir, não sabendo exactamente de quê, de quem ou porquê, mas desistir… simplesmente respirar sem necessidade de explicações de carácter maior, sem uma prerrogativa de pensamento constante e obrigatória acerca daquilo que será o amanhã. Esse que está tão longe e parece tão absurdo por não dar qualquer resposta. Suspirar. Respirar. Simplesmente limitar-me a existir.

música: Right Where It Belongs - NIN
publicado por Ketch às 03:20
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Domingo, 3 de Junho de 2012

Partidas.

O tempo de um silêncio total pode ser dramaticamente longo e triste. Uma dor visceral que corrói todo e qualquer fragmento de vida num respirar. Um querer que suplanta a razão, intensifica as memórias de um suspiro profundo, de perdição nos olhos cor de mar e de mundo, de um final de tarde onde as palavras são balas, do arrependimento delas, de um nascer do sol com sorrisos cúmplices… Um pedaço daquilo que somos parte com a chegada da ausência e com a chegada da ausência chega a saudade, a dúvida e o silêncio. Esse que é utópico, que não existe, mas que se instala numa construção mental de ausência de palavras, de contacto, de afectos pendentes.

                A racionalidade passa a ser relativa e as memórias estão em todo o lado, espalhadas nos estilhaços daquilo que foram um dia, na incerteza de serem algo mais do que isso: imagens dispersas numa mente de recordações. Um futuro que não o tem, uma vontade suspensa, um último suspiro que consome cada bocado da razão, para nos enlouquecer e embebedar de esperança, cigarros e autocomiseração.

publicado por Ketch às 16:47
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

I believe in magic...

Sim, acredito. Coincidências? Não creio. Vejo o mundo como algo maior e mais completo do que um lugar onde pessoas fazem coisas. Maior do que a natureza, a ciência e todas essas coisas que acontecem na vida de toda a gente. Não acredito em deus, nas religiões como elas são e nos livros de instruções que trazem com elas, muito menos nos seus milagres.

Acima de tudo acredito nas pessoas, no mundo interior, no amor e no ódio que põem no que fazem e no que querem: chamemos-lhe energia. Acredito em justiça divina, mas com outro nome: consciência. Não falo propriamente apenas dos pesos que ela possa carregar, mas daquilo que o mundo interior faz por nós… Porque lá no fundo - segundo o que penso, que vale o que vale -, há dois “eus”: a representação daquele que vive cá fora e o “eu” normativo, aquele que faz connosco tudo o que o mundo lá fora nos faz, nuns mais duro, noutros mais benevolente. Creio que esse eu interior produz energia suficiente para conseguirmos tudo o que queremos ( que está ao alcance, imagino eu) e também para destruirmos tudo. Quando fazemos algo mesmo muito mau, «what goes around, comes around» e a nossa consciência põe-se mesmo a jeito para produzir energia negativa suficiente para só trazermos o que não tem grande interesse para a nossa vida. Há quem diga que é uma forma de religião, eu concordo em parte porque se trata de acreditar em algo superior que rege aquilo que não é empírico ou palpável. A religião afasta as pessoas, por serem regras impostas e não naturais, a energia não.

No fundo, acho que algo que realmente junta as pessoas e devia ser mais importante do que qualquer religião é a música. Não é à toa que milhões de pessoas se juntam por ela e são felizes… Naquele concerto, porque aquela música deu na rádio, porque aprenderam a tocar isto ou aquilo, porque voltam a ouvir o tema “x” que estava a dar na ocasião “y” e traz boas recordações. Claro que também há a musiquinha da baba e do ranho, mas estou a falar mesmo é de várias pessoas na mesma frequência, talvez no mesmo ritmo, eventualmente na mesma tonalidade, amiúde no mesmo compasso, mas sempre a canalizar energia para o mesmo centro.

Isto tudo, porque hoje preferi pensar, em vez de existir (contrariando o «penso, logo existo») e porque tive saudades de Viana, dos sons que há por lá, de 4 rapazes que pegam na sua música e a juntam à minha, numa cave onde às vezes não se toca nada, mas também onde se toca tudo… De alguém que toca guitarra para mim muitas vezes… dos sons mais castiços do grupo folclórico, dos meus amigos e da música que partilhamos ao som de gargalhadas e toda a sonoridade conjunta. Porque eu posso ter tudo, mas dado que também não acredito no silêncio e o som perdido só por si não chega, é preciso partilhar e a música é, para mim, isso mesmo.

música: toda :D
publicado por Ketch às 23:54
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010

Instantâneos.

Eu não sei.

Tenho vontade de saltar e não ver mais nada que não seja o fundo.

Descobrir-lhe o sabor, o cheiro e o que o fez.

...às vezes tenho vontade de não ter luz, de fugir dela, de não deixar que ela me cegue.

Estou demasiado ofuscada com uma ilusão flutuante de pensamento futurista.

Não adianta muito correr à frente do sonho, ele não nos apanha.

música: se houver um anjo da guarda - pedro abrunhosa
publicado por Ketch às 17:04
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