Domingo, 3 de Junho de 2012

Partidas.

O tempo de um silêncio total pode ser dramaticamente longo e triste. Uma dor visceral que corrói todo e qualquer fragmento de vida num respirar. Um querer que suplanta a razão, intensifica as memórias de um suspiro profundo, de perdição nos olhos cor de mar e de mundo, de um final de tarde onde as palavras são balas, do arrependimento delas, de um nascer do sol com sorrisos cúmplices… Um pedaço daquilo que somos parte com a chegada da ausência e com a chegada da ausência chega a saudade, a dúvida e o silêncio. Esse que é utópico, que não existe, mas que se instala numa construção mental de ausência de palavras, de contacto, de afectos pendentes.

                A racionalidade passa a ser relativa e as memórias estão em todo o lado, espalhadas nos estilhaços daquilo que foram um dia, na incerteza de serem algo mais do que isso: imagens dispersas numa mente de recordações. Um futuro que não o tem, uma vontade suspensa, um último suspiro que consome cada bocado da razão, para nos enlouquecer e embebedar de esperança, cigarros e autocomiseração.

publicado por Ketch às 16:47
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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010

...

Vamos fugir por entre o arvoredo, dar as mãos em sorrisos ao vento e procurar um telhado que nos mostre a cidade por entre o fumo de um cigarro.

sinto-me: so goooood :)
música: katastrophy wife - blue valiant
publicado por Ketch às 23:58
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Domingo, 23 de Maio de 2010

...

Larguei a mão a meio daquela valsa sem nome, de passos simples, de movimentos fluidos e expressões sérias, porque naquele compasso lento não se acabavam nunca as notas e cansei-me de flutuar pela sala com chão de vidro estilhaçado. Sentei-me na varanda de pedra, apanhei o cabelo numa trança, atirei os sapatos e fiquei ali um bocadinho a olhar para ontem, enquanto o sol se punha, pontual. Agora que sei onde estou, posso finalmente voltar para casa… descalça.

sinto-me: farta de covardolas ^^
música: kathy - rodrigo leão
publicado por Ketch às 01:01
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Terça-feira, 11 de Maio de 2010

Janelas.

Um sentido perdeu-se no meio de pequenos nadas, madrugadas e pó de recordações amassadas pelo tempo e atiradas ao vento. Não falo do conhecido, mas sim do inexplicável, de carácter pouco empírico, por vezes, variando consoante a alma e as viagens que ela se predispõe a fazer por essas ruas estreitas que são tudo aquilo em que acreditamos. Um sentido que não escolhemos, apenas moldamos.


Um sentido perdeu-se. Perdeu-se apenas num lugar… Não para sempre. Deixou de brincar a deus, de augurar, negou o prazer. Aninhou-se no canto escuro da rua estreita, por baixo da janela da casa onde tudo foi lançado na brisa e fechou os olhos, cego de construções mentais e sonhos. Deixou de ser sentido, mágico, nobre. Feiticeiro de mais um dia cinzento transformado em aurora primaveril, de magia dúbia e verdades de prata, agora cingido à perdição num espaço circunscrito pela mente ou alma. A linha é ténue... o texto inacabado.

Um sentido perdeu-se no meio de pequenos nadas, madrugadas e pó de recordações amassadas pelo tempo e atiradas ao vento. Não falo do conhecido, mas sim do inexplicável, de carácter pouco empírico, por vezes, variando consoante a alma e as viagens que ela se predispõe a fazer por essas ruas estreitas que são tudo aquilo em que acreditamos. Um sentido que não escolhemos, apenas moldamos.

Um sentido perdeu-se. Perdeu-se apenas num lugar… Não para sempre. Deixou de brincar a deus, de augurar, negou o prazer. Aninhou-se no canto escuro da rua estreita, por baixo da janela da casa onde tudo foi lançado na brisa e fechou os olhos, cego de construções mentais e sonhos. Deixou de ser sentido, mágico, nobre. Feiticeiro de mais um dia cinzento transformado em aurora primaveril, de magia dúbia e verdades de prata, agora cingido à perdição num espaço circunscrito pela mente ou alma. A linha é ténue e o texto inacabado.

sinto-me: .
música: nothing really ends - dEUS
publicado por Ketch às 14:39
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Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

Passeios na massa cinzenta - Parte I

Cada um esconde um universo complexo diferente por trás da carapaça dura usada diariamente. Gosto de esventrar o ‘eu’ dos outros, o meu de vez em quando, e reinventar-me, fazer psicanálise comigo mesma, pôr-me a nu por dentro, medir fraquezas, medir forças comigo… ganho quase sempre. O que parece certo é na verdade errado: ninguém nos diz como, nem quando, e aí é que está a piada da coisa. A forma como tudo é reversível (pelo menos, eu acredito que sim), principalmente o ser humano em si, as suas relações e o espaço que o rodeia, faz-me teorizar que tudo isto foi feito na base da reversibilidade, para não se eliminar, mas sim estar em constante transformação. A coerência torna-se algo estapafúrdia nas questões do mundo, fundamental nas questões do humano. Estou farta do humano. Procuramos a felicidade e Deus em todo o lado, como se soubéssemos o que é ou ao que vamos e sobrevalorizamos tudo aquilo que não conhecemos: o bom e o mau. Atribuímos-lhe denominações e rotulamos tudo o que não conhecemos por medo de não sabermos o que poder esperar. Os rótulos descansam-nos. Embalam-nos no sono profundo do comodismo sensorial e intelectual. Até que ponto contactamos com a realidade absoluta? Não estaremos todos demasiado bêbedos de vida e tão cegos de normas para vermos aquilo que realmente nos é apresentado de mão beijada? Cabe-nos definir ou deixar em suspenso? Decifrar o código da caixa forte ou ouvir o som do botão a rodar? Eu prefiro ouvir. Procuro incessantemente respostas para tudo, menos para aquilo que acho que não foi criado para ser decifrado. Muitos enigmas foram tidos para continuarem intactos, o que não invalida que nos questionemos acerca eles, antes o contrário… As respostas são sobrevalorizadas na grande maioria dos casos: são o fim da linha, a piada está na viagem.

sinto-me: .
música: virgin state of mind - k's choice
publicado por Ketch às 22:24
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Quarta-feira, 3 de Março de 2010

(Há alturas da nossa vida em que arranjar um título que se enquadre é quase impossível)

                   Sei o quão banal é postar músicas e respectivas letras na blogosfera, mas a letra e música que vou partilhar a seguir é especial, por motivos vários: a voz de personalidade muito própria, a simplicidade, a perfeição da melodia e letra, a harmonia (e os toques leves de harmónica) e o facto de me ter sido apresentada através de um filme que passou à lista dos favoritos. Before sunrise transporta-nos para uma atmosfera de pensamento e diálogo espantosamente fascinante, pela viagem intelectual e de conhecimento interior que nos sugere. O romance de Celine e Jesse serve de metáfora a uma parafernália de situações. Melhor que ler isto, é ver este fabuloso filme e sua sequela, Before Sunset.

                 Três minutos e meio e tantas palavras que se dizem caladas.

 

 

 

There's wind that blows in from the north.
And it says that loving takes this course.
Come here. Come here.
No I'm not impossible to touch I have never wanted you so much.
Come here. Come here.
Have I never laid down by your side.
Baby, let's forget about this pride.
Come here. Come here.
Well I'm in no hurry. Don't have to run away this time.
I know you're timid.
But it's gonna be all right this time.

sinto-me:
música: Kath bloom - come here
publicado por Ketch às 02:30
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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Good mood.

                Após um retiro pelas terras alentejanas, volto a casa com mais vontade de partir. Amanhã ponho-me a andar outra vez…

 

 

                Em Elvas passeei pelas ruas estreitas, as luzes e os sons. Fez-me bem toda aquela calma e tudo, e tudo e tudo. Foi acima de tudo uma passagem enriquecedora, não só pela visita de um lugar que mal conhecia, mas por todas as conversas, os risos, os cafés e a fumaça.

 

Fica a promessa de lá voltar no Verão...

 

 

Para rematar, só mesmo isto:

 

 

 

 

sinto-me: bem.
música: António Variações - estou além
publicado por Ketch às 19:16
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